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29.4.04

Tá, ando mesmo em dívida com vocês três ou dezessete que insistem em não morrer e continuam sendo fiéis leitores deste bológue às avessas. Ando em dívida.

Prometo que logo volto a escrever. Só tô esperando o inferno voltar a funcionar de novo. Parece que o diabo tirou férias.

Fala aí!

21.4.04

Ética na veia velha do jornalismo = Estética na nova nave do jornalirismo  

(inquietações estudantis)



Nestes cruéis porém cruciais tempos de pós-pós-modernidade, ou seja lá que nome se dão aos bois, aos dois, aos pois e aos pós, muitos são os que advogam pelo fim da ética. Aqueles que privilegiam a estética ainda podem ter um tanto de razão (nunca nos esquecendo que toda estÉTICA contém a ética dentro de si); entretanto, os que argumentam que, se não existe verdade universal, tudo é possível, podem estar prestes a cair em grosseiro erro.

Não existe verdade única e irrefutável, isto é certo e filosoficamente reconhecido. Contudo, a verdade como ideal é algo a ser buscado (nunca atingido, mas sempre buscado). Ademais, ao menos virtualmente, existe objetividade. Existe uma luta pela imparcialidade. Existe, portanto, ética.

Já faz algum tempo que os Princípios Internacionais da Ética no Jornalismo foram formulados e divulgados (mais precisamente, na quarta reunião consultiva de organizações nacionais e regionais de jornalistas, Praga e Paris em 1983). Seus preceitos, à primeira vista, parecem óbvios. Mas contêm, em essência, uma preocupação que sempre deve ser recorrente na mente do jornalista: sou um manipulador de informações e cotidianamente mexo com a opinião das pessoas.

Ei, você prestou atenção nisso? Releia a frase acima e veja o tamanho da nossa responsabilidade enquanto jornalistas... É, nosso ganha-pão não parece ter muito de ingênuo não.

Mas então por que será que a faculdade só nos oferece Ética no último ano do curso? Por que será que todas as outras disciplinas teóricas ficam batendo na mesma tecla durante todo o curso e nenhuma delas se propõe a realmente mergulhar profundamente no tema? Covardia, talvez?

Temos um mercado de trabalho nefasto nos esperando do lado de fora, só que nenhum de nós pretende ficar fora dele, certo? Mesmo que alguns fiquem o curso todo com discursinhos pseudo-revolucionários. Quando a faculdade acabar, o medo do desemprego promete falar mais alto. E então? Que postura devemos adotar?

Este texto não fechará as idéias apresentadas, ao menos por hoje. Ele é um texto de inquietações. Escrito por alguém que acredita na ética como princípio régio de todas as atitudes. Escrito por alguém que tem uma consciência e pretende sempre dormir em paz com ela. Escrito por alguém, entretanto, que, como quase todos os outros que hoje se sentam em bancos acadêmicos de cursos de jornalismo, não enxerga fácil uma saída para a boa práxis jornalística – tenho medo de que essa luz que pareço ver no fim do túnel seja o trem vindo ao meu encontro.

***

Mas a ética não foi criada pelo jornalismo
[Do lat. ethica < gr. ethiké.]
S. f. Filos.
1. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.

E nem deve ser privilégio dos jornalistas, estes que acreditam tanto serem deuses. Ética na veia velha do jornalismo, concordo. Mas é a mesma ética que vem do cidadão. Como jornalista apenas exercerei na minha profissão os princípios de conduta que já carrego como cidadão. Por isso os tais os Princípios Internacionais da Ética no Jornalismo parecem óbvios.

Então qual o diferencial? Não sei porque ainda estou buscando. Mas acho que, no fundo, tem a ver com a outra faceta desta mesma moeda enferrujada: a estética na nova nave do jornalirismo.

Sim, afinal, o sortudo do cidadão que não abraçou o jornalismo como profissão, além de ter a possibilidade de ganhar bem mais, ser mais feliz, gozar do descanso nos feriados e dias santos, levar uma vida normal e sem perturbações psicológicas, não tem nenhum compromisso com a linguagem. Já o jornalista ideal, JORNALISTA mesmo, com caixa-alta e tudo, pra mim tem de ser um jornalirista: sua ética cabe em sua estética e sua estética está comprometida com a construção diuturna de um devir aqui chamado de nova nave do jornalirismo.

Quando digo nave, quero remeter a templo. Um jornalismo apaixonado e apaixonante, tem esse quê de religião: sedutor, inexplicável, arrebatador, irracional posto que chama. A nova nave do jornalirismo seria o renovar eterno do conjunto de estruturas e regras que norteiam o jornalismo. Desde o lide até a tipografia. Desde a linha-fina até o box.

O que estamos esperando para experimentar?

Edison Veiga Junior, ainda estudante de jornalismo
ouvindo só o barulhinho chato do ICQ mesmo neste ridículo feriado de Tiradentes

Fala aí!
As pessoas não param de confundir com notícias o que lêem nos jornais
(A. J. Liebling)

Fala aí!
Idiota mesmo sou eu que fui reinstalar minha impressora e, por falta de atenção, acabei deixando-a em alemão. Então que sou supreendido por mensagens deste tipo:
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Vocês não têm idéia de como isso me deixa feliz.

Fala aí!

A invenção jurídica do autor  

Roger-Pol Droit
do "Le Monde"


É meu livro", diz o autor com orgulho. "É meu livro", diz também o comprador do volume. Ambos têm razão, é mesmo "seu livro", mas, evidentemente, em sentidos diferentes. Um concebeu a obra, o outro possui um exemplar dela. Isso parece muito simples à primeira vista.

Mas, assim que começamos a entrar no detalhe, tudo se complica. O que o autor possui exatamente? Em que sentido? Em razão de que direito? De que, por sua vez, o cliente do livreiro se torna proprietário? A essas perguntas, inspiradas em Kant, assim como o exemplo inicial, outras se acrescentam se incluirmos o editor, os herdeiros, as adaptações...
Nesse labirinto de dificuldades, Bernard Edelman constitui um guia excepcional. Poderíamos pensar que é normal: esse advogado é especialista em direito autoral e propriedade intelectual. Mas estaríamos enganados.

Pois é como genealogista, arqueólogo e historiador que explora, em "Le Sacre de l'Auteur" [A Sagração do Autor, ed. Seuil, 380 págs., 22 euros] não a jurisprudência dos casos contemporâneos, mas a implementação jurídica e literária, ao longo dos séculos, da "função autor". Tornou-se habitual pensar que um indivíduo pode criar soberanamente uma obra do espírito, mas nada é menos histórico que tal conclusão.

O grande mérito do livro de Edelman é o de explicar o longo processo jurídico pelo qual se chegou lá. A Antigüidade não conhecia nenhum equivalente desse autor soberano. Os plagiadores existiam, claro. Mas bastava, como fez Cícero, tentar envergonhá-los ao desmascarar sua trapaça. A idéia de processá-los na Justiça não poderia se constituir, à falta de leis adequadas e à falta, sobretudo, da idéia de um texto intangível que emana de um indivíduo-autor.

A obra literária permanece uma realidade instável ao longo da Idade Média. Todo mundo pode legitimamente remodelar um texto, versificar o que é prosa ou o contrário. É preciso que nasça a "república das letras", a constituição dos livreiros, o estabelecimento de privilégios para que novas questões comecem a ser colocadas. Então se desenha lentamente o rosto do autor.
Edelman insiste em uma virada, a de 1637-38, em que evidentemente se reconhece a querela da peça "El Cid". "Não devo senão a mim mesmo todo o meu renome", proclama Corneille em "L'Excuse à Ariste", inaugurando a autocriação do autor, anunciando a ascensão do individualismo e o sagrado futuro de um eu todo-poderoso.

No entanto nenhuma conseqüência jurídica se seguiu. É preciso que terminem de triunfar o indivíduo, os direitos do homem e a Revolução Francesa para que se estabeleça a paisagem que conhecemos. Definitivamente? Nada é muito seguro. Edelman não aposta na morte do autor. Mas o que diz sobre as invenções digitais mostra que o risco existe. O próximo século verá talvez esse autor, de soberania afinal juridicamente estabelecida, morrer sem glória, "assassinado sob o peso da tecnologia e do mercado".


traduzido por Luiz Roberto Mendes Gonçalves
e publicado no caderno Mais, da Folha no domingo passado



Fala aí!

20.4.04

Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo, sabe que o que ele faz é moralmente indefensável.
(Janet Malcolm)

Fala aí!

Trecho  

de umas coisas que ando escrevendo

1) Mas para que ninguém saia por aí pedindo o dinheiro de volta, dizendo que “como assim o protagonista morrer bem no comecinho?”, eu vou mostrar as duas linhas que eu escrevi antes de morrer:

Decidi que não quero ser felizinho.
Agora vai ser oito ou oitenta: só brinco se for feliz ou triste.

2)
– Que cabeça você quer?
– A mais bonitona e cheia de recheio por favor!
– Serve Ezra Pound?
– Não sei... Preferia algo nacional... Tem Clarah Averbuck?
– Tem mas acabou. Por que você não leva Leminski?
Tudo. Tudo. Menos o tem mas acabou. Odeio o tem mas acabou.

3) Tinha cinco dedos em cada uma das mãos. Não era, portanto, presidente. Falava inglês, alemão e não-sei-mais-o-quês. Amava cinco namoradas, sendo fiel a todas elas. Era doutor em embromations factus e ganhava 15 mil dólares por mês. Andava sempre num carro importado, que não sei a marca porque não entendo de carros. Bebia só uísque escocês e ria dos pobres para quem jogava esmolinhas com desdém.
Um dia, tropeçou no ego e morreu de traumatismo craniano.

4)
- Manhê! Manhê! Manheeeeeeeeeeeeeeeeeeê!
...
- Mãe!?


Edison Veiga Junior
ouvindo Rádio Unesp

Fala aí!

18.4.04

O mundo anda bem doidão. Parece que fumou uns três quilos de maconha e agora bateu uma larica desgraçada nele. Então começou a devorar pessoas, umas com quéti-chupe, outras com queijo ralado. As mais rechonchudas, in natura mesmo.

Você já experimentou conectar dois caleidoscópios, um diferente de outro, um em cada olho, ao mesmo tempo? Experimente: talvez seja o melhor jeito de se lembrar de esquecer que o mundo não está mais valendo a pena.

Fala aí!
Se eu tivesse morrido, suponho que eu seria a primeira pessoa a saber disso.
(Paul McCartney, comentando as manchetes jornalísticas sobre sua morte)

Fala aí!

E C L I P S E  


Cabelos, pêlos, pentelhos...
A vida em cima da cama
A vida dentro do espelho.

Pernas pensam feito pinças
Pincelando a doce trama
(Antes fosse uma crença!)

Cheiro ocre, acre cor
Pele a pele, face em face
Inteiro fraque de amor...

Terno traquejo desejo,
Um só beijo a cada cálice
E tudo que mais não vejo.

Cabelos trêmulos pêlos:
Pelos corpos tão afoitos
Prazer aguarda no prelo.

Lumiados pela lua
Etéreas noites e noites
Onde o meu é também tua!

Edison Veiga Junior
ouvindo um cd do ministro Gilberto Gil

Fala aí!

17.4.04

Todo mundo tava pensando isso. Eu inclusive. O bológue morreu, já era, fodeu-se de vez.

Todo mundo tava pensando inclusive eu. Tive a sincera impressão de que ele talvez ressuscitasse na Páscoa, junto com aquele deus que morreu na cruz. Não foi.

Achei que ninguém daria pela falta dele. Eu, um pouquinho apenas.

Aí que a Priscila reclamou de forma indireta. E a Mari, meu amor, reclamou de forma direta mesmo.

Então que o un_espirro vai voltar. Capenga e ainda se recuperando de seu traumatismo craniano. Cambaleante, coitado. Quase bêbado. Cá está.

Vou começar

Primeiro que tem dois linques indispensáveis para sua vida. São duas invenções que mudarão a história da humanidade. A primeira é ideal para hipocondríacos metódicos em geral. Perdão pela redundância.

A outra invenção genial está aqui.

vou continuar começando

Bauru deve ter quatorze ou quinze assinantes da Revista Cult. Quatorze ou quinze, o entregador não soube precisar. Acho que porque ele não sabia se me incluia ou não neste seleto grupo.

Eu ganhei uma graninha da minha vó no meu aniversário do ano passado, portanto agosto. Já faz alguns anos que, ao invés de ela me dar um presente, me dá a grana. Acho que ela tem medo de não saber o que comprar para mim.

Então que eu costumo gastar a grana da minha vó com livros, CDs, shows e/ou outras bizarrices em geral. Ás vezes o "presente" acaba durando meses. Tem ano que acaba num só dia e eu tenho de completar com meu próprio dinheiro para conseguir comprar o super DiscMan que eu tanto queria, por exemplo.

Meu último "presente" vóterno de aniversário acabou virando um livro sobre a Clarice Lispector, poemas da Bishop (edição bilíngüe, viu Giovana?), um show que nem me lembro mais qual foi, mas foi no Sesc-Bauru, uns três cineminhas. Acho que tem mais alguns livros, não me recordo agora.

Sei que já era novembro e ainda tinha um bom saldo de meu "presente" para torrar. Então que vi, na Internet, que a Revista Cult estava com uma puta de uma promoção, irresistível. Na assinatura você automaticamente ganhava um livro deles. E tinha vários livros que devem custar quase o preço da assinatura. Irresistível, como disse. Ainda mais para bibliófilos como eu.

Sem pestanejar, encerrei meu presente de aniversário vóterno dos dezoito anos assinando a Cult. Fiquei em dúvida entre dois livros, mas acabei escolhendo, óbvio, o mais caro: A Ciência Nova, um pesadão livro do Vico, escrito no século XVII, que influenciou desde Marx até Joyce. Fundamental. Pesadão mesmo, pára em pé sozinho.

Fiquei ansioso achando que ia receber o livro e a revista já em dezembro. Contava os dias e nada. Conheci o amor da minha vida e nada. Todo dia eu olhava na minha caixa de correio do prédio e nada. As férias começaram e nada. Fiquei mais uma semana em Bauru e nada. Fui para Taquarituba e esqueci um pouco disso tudo.

Em janeiro, Zebra em Bauru. Procurei saber com ele se havia chegado algo, mas nada. Então mandei um imeio nada simpático para os caras e eles me remeteram, em final de janeiro, a revista de dezembro. O livro, nada. O exemplar de janeiro, nada.

Vim para Bauru no fim de fevereiro, depois do carnaval. Nada do livro. Nada do exemplar de janeiro, nem do de fevereiro. Que carma!

Fui trocando vários imeios nada simpáticos com o pessoal da Cult. Até que no meio de março, vencidos pela minha insistência, eles decidiram me mandar, numa porrada só, as três revistas (janeiro, fevereiro e março) e o livro. E me garantiram que eu iria começar, finalmente, a receber corretamente os exemplares.

Viajei com o meu amor na Semana Santa. Foram doze dias em que a última coisa que eu iria pensar era a famigerada Cult. E não é que quando volto para Bauru a desgraçada de abril ainda não tinha chegado?

Nova troca de imeios e agora recebi. O entregador pediu para o porteiro me interfonar para que eu assinasse que havia recebido. E ainda reclamou que não sabia por que nunca vinha a minha revista.

Não sei de quem foi o erro. Sei que guardei o imeio no qual os caras da editora garantiram que eu vou receber certinho as próximas revistas. Tenho o comprovante do pagamento de minha assinatura, datado de novembro. Não é justo que tenha de, todo mês, "pedir" a minha revista. Muito chato isso.

ainda é só o começo

Este mês fiquei de pagar o aluguel. Venceu ontem.

Peguei a grana do pessoal daqui de casa e fui pagar num caixa eletrônico do Banco do Brasil ontem de tardinha, como sempre faço. Necas.

O caixa não aceitou e já estava vendo que teria eu de arcar com uma chatíssima multa, sozinho, no próximo mês.

Fui até a Concreto Imóveis hoje pela manhã. A mocinha, Renata, muito simpática, permitiu que eu quitasse meu débito lá mesmo, toda sorridente ela. Sem multa.

Ponto para a Concreto. E ponto negativo para a Cult.

o começo já está acabando

Percebi que não são só os motoristas de carro, busão ou caminhão que têm um preconceito ridículo contra os motoqueiros. Tá bom, Bil, motociclistas, você tem razão! Em suma, os motociclistas somos desprezados por todos. E na hora do acidente somos os primeiros culpados, sempre: bando de cachorros-loucos.

Mas até as crianças que pedem moedinhas no semáforo nos desprezam. Elas simplesmente pulam motos. É como se nós não existíssemos. Vai ver porque não temos janelas para levantarmos o vidro fingindo ter ar-condicionado, assim ignorando a miséria do lado de fora.

Falei isso para uma menininha no semáforo, hoje. Ao que ela:

- Sei lá, tio. Num penso nisso não.

Dei a ela uma moedinha. Que, óbvio, não resolverá o problema dela nem dos outros milhares de famintos que acreditaram no Fome Zero e estão a ver naves, navios e calhambeques estragados. Respirando a fumaça dos escapamentos nos semáforos.

Fala aí!

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